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Como evitar a falsificação do ASO nas Clínicas de Medicina do Trabalho

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24 de março de 2026 | ASO

Como evitar a falsificação do ASO nas Clínicas de Medicina do Trabalho

evite a falsificação do ASO

A falsificação do ASO – Atestado de Saúde Ocupacional, é um problema crescente no Brasil e pode gerar riscos legais, trabalhistas e de saúde para empresas, trabalhadores e profissionais da Medicina do Trabalho. Na maioria das vezes, o fraudador utiliza um documento real, emitido por um Médico do Trabalho habilitado, e altera digitalmente dados como nome do trabalhador, função, data e parecer. 

Clínicas de SST devem agir preventivamente com processos, tecnologias e orientações adequadas para reduzir drasticamente a ocorrência desse tipo de fraude. 

1. Por que o ASO é alvo de falsificação? 

O ASO é o documento que atestam a aptidão do trabalhador para exercer atividades específicas, e é exigido por lei para admissão, mudança de função, retorno ao trabalho, demissão e exames periódicos. 

Seu valor legal torna o documento um alvo comum para fraudes. 

Consequências: 

  • Riscos graves à saúde do trabalhador. 
  • Responsabilização trabalhista, civil e criminal. 
  • Penalidades a empresas e profissionais. 
  • Danos à reputação da clínica. 

2. Boas práticas para prevenir a falsificação do ASO 

2.1. Utilizar sistemas digitais seguros e certificados 

  • Software com assinatura digital ICP-Brasil. 
  • QR Code para validação online. 
  • Logs de emissão e rastreabilidade. 

2.2. Inserir elementos de segurança 

Documentos impressos: 

  • Marca d’água. 
  • Papel de segurança. 
  • Numeração sequencial. 
  • QR Code. 

Documentos digitais: 

  • Hash de integridade. 
  • Cabeçalhos e rodapés padronizados. 
  • Identificação completa do médico. 

2.3. Validar identidade do trabalhador 

  • Conferência documental. 
  • Foto no momento do exame. 
  • Biometria. 

2.4. Treinar equipes administrativas 

  • Identificar sinais de fraude: 
  • Diferenças de formatação. 
  • Ausência de CRM ou assinatura. 
  • Datas incoerentes. 
  • QR Code inválido. 
  • Metadados suspeitos do PDF. 

2.5. Implementar canal de verificação 

  • Página de verificação via QR Code. 
  • E-mail institucional. 
  • Telefone para checagem. 

3. Processos internos que fortalecem o controle contra falsificação do ASO

3.1. Registro centralizado de ASOs 

Evita duplicidades, inconsistências e facilita comparações. 

3.2. Backup seguro de prontuários e ASOs 

Armazenamento por 20 anos conforme NR-7, com criptografia. 

3.3. Auditorias periódicas 

Revisões mensais de integridade, formatação e conformidade. 

4. Como proceder ao identificar uma falsificação do ASO

4.1. Confirmar autenticidade 

Verificar sistema, logs e assinatura digital. 

4.2. Registrar evidências 

  • Cópia do documento suspeito. 
  • Prints de QR Code. 
  • Metadados e relatórios. 

4.3. Comunicar a empresa contratante 

Informar a ausência de emissão válida e orientar providências. 

4.4. Realizar o exame verdadeiro 

Direcionar o trabalhador para avaliação real. 

4.5. Aplicar medidas legais (se houver má-fé) 

  • Boletim de ocorrência. 
  • Comunicação formal. 
  • Assessoria jurídica. 

O registro pode ser feito online: Registrar Ocorrência Policial Online 

Essa situação pode ser enquadrada como falsidade ideológica, conforme o Art. 299 do Código Penal Brasileiro, podendo chegar a 5 anos de prisão pelo crime: 

Art. 299 – Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: 

        Pena – reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, de quinhentos mil réis a cinco contos de réis, se o documento é particular.     (Vide Lei nº 7.209, de 1984) 

        Parágrafo único – Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumenta-se a pena de sexta parte. 

Código Penal – Decreto-Lei Nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940: DEL2848compilado 

4.6. Registrar o incidente internamente 

Veja abaixo uma sugestão de ações que podem ser realizadas quanto ao registro interno do incidente relacionado à falsificação do ASO: 

1. Coleta e Preservação de Evidências 

Antes de qualquer acusação, você deve garantir a materialidade do fato: 

  • Análise Visual: Identifique indícios de rasuras, fontes diferentes, carimbos suspeitos ou datas que não coincidem com o atendimento. 
  • Confronto de Dados: Verifique se o médico que assinou o ASO está regularmente inscrito no CRM e se possui a especialidade necessária (se for o caso). 
  • Rastreabilidade Interna: Confirme se havia agendamento para aquele exame no sistema de gestão de SST da empresa. 

2. Validação com a Clínica ou Médico 

A empresa não deve atestar a falsidade por conta própria. É necessário um documento oficial: 

  • Envie um ofício ou e-mail formal à clínica prestadora solicitando a confirmação da veracidade do documento. 
  • Importante: De acordo com o Código de Ética Médica, a clínica não pode fornecer detalhes do prontuário, mas deve confirmar se o atendimento ocorreu ou não e se o documento é autêntico. 

3. Registro no Sistema de Gestão (SST) 

No seu software de gestão de segurança e medicina do trabalho, o registro deve ser administrativo: 

  • Não exclua o documento falso; ele é a prova. 
  • Crie uma ocorrência ou “Não Conformidade” administrativa vinculada ao prontuário do colaborador. 
  • Anexe a resposta da clínica confirmando que o documento não é autêntico. 

4. Fluxo de Compliance e RH 

O processo deve seguir para as esferas punitivas e legais: 

  • Relatório Interno: Elabore um documento descrevendo o cronograma (data da entrega, data da suspeita, data da confirmação pela clínica). 
  • Entrevista de Esclarecimento: O RH deve chamar o colaborador para que ele apresente sua versão. Isso evita alegações de cerceamento de defesa. 
  • Medidas Disciplinares: A falsificação de documento é tipificada como falta grave (Art. 482 da CLT, alínea “a” – ato de improbidade), podendo ensejar demissão por justa causa. 

5. Implicações Legais (Opcional, mas Recomendado) 

Como a falsificação de documento (público ou particular) é crime previsto no Código Penal (Arts. 297 e 298), a assessoria jurídica da empresa deve avaliar a necessidade de: 

  • Lavrar um Boletim de Ocorrência (BO). 
  • Comunicar o Conselho Regional de Medicina (CRM) caso o nome de um médico tenha sido utilizado indevidamente. 

5 Soluções do SGG para evitar a falsificação do ASO 

Veja abaixo os procedimentos que podem ser adotados no SGG para aumentar a segurança do ASO emitido no sistema:

5.1 Utilizar QR Code no ASO 

Acesse Medicina >> Configurações >> ASO para ativar o QR Code 

  

Acesse Configurações Modelo para inserir a variável do QR Code no modelo de ASO 

5.2 Compartilhe o ASO assinado pelo Médico pelo Portal do Cliente e Portal do Funcionário 

A impressão do ASO em papel pode ser eliminada com a adoção do processo 100% digital de liberação do ASO. 

Isso pode ajudar a evitar o acesso indevido ao documento. 

5.3 Adote a assinatura biométrica do Funcionário 

Apesar da NR-7 não exigir que o ASO seja assinado pelo Funcionário, essa operação fortalece a segurança contra falsificação do documento. 

O ASO é utilizado comumente pelas clínicas no Brasil como sendo o próprio recibo de entrega do documento ao Funcionário, o que torna a assinatura um item essencial na Medicina do Trabalho. 

5.4 Adicione a informação sobre a validação do documento assinado com certificado digital na plataforma do governo no campo Texto do Médico 

Quando assinado digitalmente, sua autenticidade pode ser verificada em: Validador de Assinaturas 

5.5 Utilize a Auditoria para Verificar a Biometria do ASO 

Ao realizar a verificação da biometria do Funcionário na assinatura biométrica do ASO, será registrada a operação na Auditoria. 
 
Acesse Sistema >> Relatórios >> Auditoria para auditar as verificações de biometria. 

Conclusão 

A falsificação de ASO pode ser mitigada com processos robustos, tecnologia e prevenção ativa. Clínicas que adotam boas práticas protegem trabalhadores, empresas e fortalecem a Medicina do Trabalho. 

Cada vez mais as Clínicas de Medicina Ocupacional têm buscado soluções digitais e tecnológicas e de procedimentos para evitar problemas com a falsificação de documentos. A adoção do Software de SST possibilita a redução da falsificação do ASO e de todos os outros documentos, o que não seria possível de garantir apenas utilizando a impressão em papel.

Entre em contato conosco!

Ronaldo Kanopf de Araújo

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