
Um relatório recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) trouxe um dado alarmante para a gestão de Saúde e Segurança do Trabalho. Segundo o estudo, mais de 840 mil mortes por ano estão associadas a riscos psicossociais no ambiente laboral. O número evidencia a dimensão do impacto de fatores como estresse crônico, jornadas excessivas, pressão constante e relações de trabalho inadequadas sobre a saúde dos trabalhadores.
Diante desse cenário, os riscos psicossociais passam a ocupar um espaço central na gestão de SST, exigindo abordagem técnica, estruturada e integrada aos processos formais das organizações.
Os riscos psicossociais estão relacionados à forma como o trabalho é organizado, gerenciado e vivenciado no dia a dia. Eles envolvem aspectos como carga e ritmo de trabalho, autonomia, clareza de funções, relações interpessoais e condições organizacionais.
Entre os exemplos mais recorrentes, estão a sobrecarga de trabalho, a pressão excessiva por resultados, jornadas prolongadas, conflitos interpessoais, situações de assédio e insegurança no emprego. Quando esses fatores não são identificados e controlados de forma adequada, podem contribuir para o desenvolvimento de adoecimentos físicos e mentais, além de aumentar afastamentos e acidentes.
Por isso, os riscos psicossociais devem ser compreendidos como riscos ocupacionais, com impacto direto tanto na saúde dos trabalhadores quanto nos resultados e na sustentabilidade das empresas.
A estimativa apresentada pela OIT foi construída a partir de duas principais fontes de evidência. A primeira envolve dados sobre a prevalência global de cinco fatores de risco psicossociais no trabalho, entre eles a tensão no trabalho caracterizada por altas exigências combinadas com baixo controle, o desequilíbrio entre esforço e recompensa, a insegurança no emprego, as longas jornadas de trabalho e o bullying e assédio no local de trabalho.
A segunda fonte é composta por estudos científicos que demonstram como esses riscos aumentam a probabilidade de condições graves de saúde, como doenças cardíacas, AVC e transtornos mentais, incluindo o suicídio. Esses níveis de risco foram então aplicados aos dados globais de mortalidade e saúde da Organização Mundial da Saúde e do estudo Global Burden of Disease.
Com isso, a OIT conseguiu estimar tanto o número de mortes quanto os anos de vida saudável perdidos atribuíveis a esses riscos, permitindo também mensurar impactos econômicos, como perdas de produtividade refletidas nos custos para o PIB. Além disso, o relatório sintetiza evidências que associam os riscos psicossociais a uma ampla gama de agravos físicos e mentais, incluindo depressão, ansiedade, distúrbios do sono, doenças metabólicas e musculoesqueléticas.
À medida que o tema ganha relevância internacional, cresce também a necessidade de incorporá-lo à gestão de SST no contexto brasileiro. As atualizações da NR-1 reforçam a importância da identificação e do gerenciamento dos riscos ocupacionais no âmbito do Programa de Gerenciamento de Riscos.
Embora a norma não estabeleça metodologias específicas, ela direciona as organizações a considerarem diferentes categorias de riscos em seus processos de gestão. Nesse contexto, os riscos psicossociais passam a demandar atenção formal, com registro, avaliação e acompanhamento sistemático.
Além disso, a ausência de método, documentação e rastreabilidade amplia a exposição das empresas a riscos legais, operacionais e previdenciários. Assim, a gestão dos riscos psicossociais deixa de ser apenas uma iniciativa de cuidado e passa a integrar o amadurecimento da gestão de SST.
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O relatório da OIT reforça que os riscos psicossociais estão associados a agravos significativos à saúde, como doenças cardiovasculares, transtornos mentais e afastamentos prolongados. Além disso, o estudo evidencia que ações isoladas ou pontuais não são suficientes para reduzir esses impactos.
Segundo a OIT, é fundamental que as organizações adotem políticas, processos e mecanismos de monitoramento contínuo. Dessa forma, a prevenção se torna estruturada, consistente e integrada à gestão de riscos ocupacionais como um todo.
Além da tecnologia, a gestão eficaz dos riscos psicossociais exige capacitação técnica e método. Diante da alta demanda registrada na primeira edição, o SGG decidiu abrir a segunda turma do Programa de Implementação da Gestão de Riscos Psicossociais, já com datas definidas.
O programa é voltado para clínicas e consultorias de SST que buscam estruturar, de forma prática e alinhada às exigências atuais, a gestão dos riscos psicossociais dentro do PGR. Ao longo da capacitação, os participantes percorrem desde os fundamentos técnicos até a aplicação na rotina de gestão, com foco em organização, rastreabilidade e conformidade.