
Entre os instrumentos disponíveis para avaliar os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho, o HSE-IT se destaca por uma combinação pouco comum: validação científica sólida, aplicação em menos de dez minutos, distribuição gratuita e benchmarking com dados populacionais que permitem comparar o resultado da empresa com uma referência externa. Não é à toa que se tornou um dos questionários mais usados no Brasil após a entrada em vigor das obrigações da NR-1 sobre riscos psicossociais.
Este guia percorre o HSE-IT em profundidade: de onde veio, como é estruturado, o que cada uma das suas sete dimensões mede, como os resultados são interpretados, o que a validação brasileira representa e como integrar os dados ao GRO e ao PGR. Se você já conhece o conceito geral de avaliação psicossocial e as diferenças entre os principais instrumentos, este artigo vai direto ao que importa para quem precisa aplicar o HSE-IT na prática.
📌 Fontes verificadas
✔ HSE Management Standards Indicator Tool – Health and Safety Executive, Reino Unido, 2004. Disponível gratuitamente em hse.gov.uk (35 questões, manual e ferramenta de análise)
✅ Validação brasileira: Lucca SR, Zanatta AB, Correa DAS, Sobral RC – UNICAMP, 2013-2014. Publicado na Revista Brasileira de Medicina do Trabalho (2017)
✔ NR-1 – Portaria MTE nº 1.419/2024, vigente desde 26/05/2026
✅ Guia MTE sobre Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho – Ministério do Trabalho e Emprego, 2025
✔ Edwards JA et al. – Psychometric Analysis of the HSE Management Standards Work-Related Stress Indicator Tool. Open University, 2008
→ Veja também: Guia completo de questionários de avaliação psicossocial
→ COPSOQ no Brasil: guia completo e validado cientificamente
O que é o HSE-IT e de onde ele vem
O HSE-IT, sigla para Health and Safety Executive Indicator Tool, também chamado de HSE Management Standards Indicator Tool (HSE-MS-IT), foi desenvolvido em 2004 pelo Health and Safety Executive (HSE), o órgão regulador de saúde e segurança do trabalho do Reino Unido. Faz parte de um framework mais amplo chamado Management Standards for Work-Related Stress, criado para dar às organizações britânicas uma abordagem estruturada e baseada em evidências para gerenciar o estresse ocupacional.
A lógica por trás das Management Standards parte de uma premissa simples: o estresse relacionado ao trabalho não é uma fraqueza individual do trabalhador, mas o resultado de características mensuráveis da organização do trabalho, demandas excessivas, pouca autonomia, ausência de suporte, papéis ambíguos, relacionamentos conflituosos e mudanças mal gerenciadas. Se esses fatores podem ser medidos, podem ser gerenciados.
Para tornar essa medição acessível a organizações de qualquer porte e setor, o HSE desenvolveu o Indicator Tool: 35 questões objetivas que avaliam a percepção dos trabalhadores sobre essas condições. O questionário, o manual do usuário e a ferramenta de análise são disponibilizados gratuitamente no site do HSE (hse.gov.uk), em 19 idiomas, incluindo o português.
No Brasil, o HSE-IT foi validado para o português por Lucca, Zanatta, Correa e Sobral, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em 2013-2014. A validação seguiu protocolos internacionais de tradução, retrotradução e validação psicométrica, e foi publicada na Revista Brasileira de Medicina do Trabalho em 2017. O instrumento é citado no Guia de Informações sobre Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, publicado em 2025.
As sete dimensões do HSE-IT
O HSE-IT avalia sete dimensões psicossociais, embora frequentemente apresentado como “seis” quando o apoio gerencial e o apoio dos colegas são agrupados numa única dimensão de suporte. A versão mais granular com sete dimensões permite diagnósticos mais precisos sobre a origem dos problemas de suporte, e é essa que o SGG implementa.
1. Demandas (8 questões)
A dimensão de Demandas avalia a carga de trabalho, quantidade, complexidade, ritmo e condições ambientais. É a dimensão com mais questões no instrumento por ser a mais diretamente associada ao estresse agudo. Inclui tanto demandas quantitativas (volume de tarefas, pressão por tempo, trabalho em ritmo acelerado) quanto demandas ambientais (exposição a condições físicas adversas que interferem na execução das tarefas).
Exemplos de situações avaliadas: sentir que há tarefas a neglicenciar por excesso de trabalho, ser pressionado a fazer horas extras, ter que trabalhar em ritmo muito acelerado, enfrentar prazos impossíveis.
Uma pontuação baixa em Demandas (após o processo de inversão de escala) indica que os trabalhadores percebem as demandas como excessivas, o que sinaliza necessidade de intervenção na organização do trabalho, distribuição de tarefas, dimensionamento da equipe ou revisão de prazos.
2. Controle (6 questões)
A dimensão de Controle mede o quanto os trabalhadores têm autonomia sobre a forma como executam seu trabalho: a velocidade, os métodos, as prioridades e as decisões do dia a dia. Está diretamente ligada ao modelo clássico Demanda-Controle de Karasek: trabalhadores com alta demanda e baixo controle são os mais vulneráveis ao estresse crônico e ao adoecimento.
Situações avaliadas: ter voz sobre a própria velocidade de trabalho, poder escolher como realizar as tarefas, ter influência sobre decisões que afetam o trabalho, poder aplicar diferentes habilidades.
A dimensão de Controle é particularmente relevante para avaliar impactos de modelos de gestão microgerenciada, trabalho em linha de produção rigidamente paced e call centers com script obrigatório, contextos nos quais a autonomia tende a ser estruturalmente baixa.
3. Apoio gerencial (5 questões)
A dimensão de Apoio Gerencial avalia especificamente o suporte que o trabalhador recebe de sua liderança direta: se o gestor está disponível para ajudar com problemas de trabalho, se oferece feedback e encorajamento, se o trabalhador pode contar com ele em momentos difíceis.
A separação entre apoio gerencial e apoio dos colegas é um dos diferenciais analíticos do HSE-IT: permite identificar se o problema de suporte está na gestão (ausência de liderança de apoio) ou na cultura de equipe (relações de coleguismo). São causas raiz diferentes que exigem intervenções distintas.
4. Apoio dos colegas (4 questões)
A dimensão de Apoio dos Colegas avalia o quanto os trabalhadores se sentem apoiados por seus pares, se podem contar com os colegas quando precisam de ajuda, se há colaboração e solidariedade no ambiente de trabalho.
Ambientes com alta competitividade interna, equipes geograficamente distribuídas ou contextos de trabalho remoto tendem a mostrar resultados mais baixos nessa dimensão, o que aponta para a necessidade de iniciativas de integração e construção de confiança entre os membros da equipe.
5. Relacionamentos (4 questões)
A dimensão de Relacionamentos avalia a qualidade das relações interpessoais no trabalho, não apenas se são positivas, mas especificamente a ausência de comportamentos prejudiciais como bullying, assédio e conflitos persistentes. Foca em identificar situações em que trabalhadores são submetidos a comportamentos inaceitáveis por parte de colegas ou superiores.
Situações avaliadas: ser alvo de comportamentos ofensivos, ser exposto a bullying no trabalho, ter conflitos com colegas, sentir-se desconsiderado pelos outros. Uma pontuação baixa nessa dimensão é um sinal de alerta importante para investigar a cultura organizacional e a existência de situações de assédio.
6. Cargo (5 questões)
A dimensão de Cargo, às vezes traduzida como “Papel”, avalia o quanto os trabalhadores entendem claramente suas responsabilidades, suas atribuições e os objetivos da sua área. A ambiguidade de papel é um fator de estresse significativo: quando o trabalhador não sabe exatamente o que se espera dele ou recebe mensagens contraditórias sobre suas responsabilidades, a ansiedade e a sensação de incapacidade aumentam.
Situações avaliadas: ter clareza sobre as próprias atribuições e responsabilidades, compreender os objetivos do departamento, saber o que se espera do trabalho. Uma pontuação baixa pode indicar problemas nas descrições de cargo, na comunicação gerencial ou em estruturas organizacionais em transição.
7. Mudanças (3 questões)
A dimensão de Mudanças é a mais curta do instrumento, com apenas três questões, mas avalia um fator de estresse organizacional que ganhou relevância crescente: como as mudanças na organização são gerenciadas e comunicadas aos trabalhadores.
Situações avaliadas: ser informado com antecedência suficiente sobre mudanças no trabalho, ter oportunidade de perguntar sobre mudanças que afetam o trabalho, sentir que o ponto de vista dos trabalhadores é levado em consideração nas decisões de mudança. Uma pontuação baixa indica que a organização comunica mudanças de forma abrupta ou sem envolvimento dos trabalhadores, um fator frequente em processos de reestruturação, fusões e mudanças de gestão.
Estrutura do questionário: 35 questões, escala Likert e pontuação invertida
O HSE-IT é um instrumento de autorrelato: cada trabalhador responde individualmente às 35 questões com base na sua percepção sobre os últimos seis meses de trabalho. A escala usada é do tipo Likert de 5 pontos, com as opções: Nunca, Raramente, Às vezes, Frequentemente e Sempre.
Um detalhe técnico importante que afeta a interpretação: algumas questões são formuladas de forma negativa, por exemplo, “Tenho que negligenciar tarefas porque tenho trabalho demais” ou “Estou sujeito a pressões de tempo irreais”. Para essas questões, uma resposta “Sempre” indica uma situação problemática, não favorável. Por isso, elas são pontuadas de forma invertida no cálculo: a resposta 5 (Sempre) recebe a pontuação 1, e a resposta 1 (Nunca) recebe a pontuação 5.
Após a inversão, todos os itens seguem a mesma direção: pontuações mais altas sempre indicam uma situação mais favorável. As notas de cada dimensão são calculadas pela média simples das respostas aos itens correspondentes.
O tempo médio de preenchimento é de 8 a 10 minutos, o que torna o HSE-IT um dos instrumentos psicossociais com menor barreira de aplicação. A taxa de resposta tende a ser maior do que em questionários mais longos, um fator relevante para organizações com trabalhadores com menor escolaridade formal ou pouca familiaridade com avaliações formais.
Como os resultados são interpretados: o semáforo e o benchmarking
A interpretação dos resultados do HSE-IT usa dois elementos: a pontuação média de cada dimensão e a comparação com os benchmarks nacionais. Os benchmarks originais foram construídos com base em surveys com amostras representativas da população trabalhadora britânica, definindo os percentis 20 e 80 como pontos de corte.
Com base nessa referência, os resultados de cada dimensão são classificados em três faixas:
Situação favorável (verde): a média da dimensão está acima do percentil 80. Indica que a maioria dos trabalhadores percebe aquela dimensão de forma positiva e que o risco de adoecimento relacionado a ela é baixo.
Situação intermediária (amarelo): a média está entre os percentis 20 e 80. Indica que há aspectos a monitorar ou melhorar, mas sem emergência de intervenção imediata. Sinaliza atenção.
Situação de risco (vermelho): a média está abaixo do percentil 20. Indica que a dimensão representa um fator de risco psicossocial significativo para o grupo avaliado, exigindo intervenção documentada no plano de ação do PGR.
O “semáforo” gerado pelo HSE-IT é análogo ao produzido pelo COPSOQ, mas o benchmarking por percentis da população trabalhadora oferece uma referência externa objetiva: o resultado da organização pode ser comparado com o que trabalhadores em outras organizações percebem sobre a mesma dimensão. Isso é especialmente útil para justificar prioridades de ação para gestores que questionam se um problema interno é sistêmico ou circunstancial.
Para organizações que aplicam o questionário ao longo do tempo, a evolução das médias em cada dimensão entre aplicações permite avaliar se as intervenções implementadas estão sendo eficazes, um requisito explícito da NR-1 no item 1.5.5.5.2.c, que exige que a análise forneça evidências para revisar e aprimorar as medidas de prevenção existentes.
A validação brasileira: o que ela significa e por que importa
Um instrumento de mensuração desenvolvido em uma língua e cultura específicas não pode ser simplesmente traduzido e aplicado em outro contexto sem validação. A equivalência semântica (as palavras significam o mesmo), a equivalência conceitual (os conceitos são os mesmos na cultura de destino) e as propriedades psicométricas (o instrumento mede o que diz medir com precisão) precisam ser verificadas por estudos específicos.
A validação brasileira do HSE-IT conduzida por Lucca, Zanatta, Correa e Sobral na UNICAMP seguiu esses protocolos: tradução do instrumento do inglês para o português por profissional bilíngue especializado em saúde do trabalho, retrotradução para o inglês por profissional diferente, avaliação semântica com grupos de trabalhadores, aplicação em amostra representativa e análise das propriedades psicométricas (consistência interna, validade de constructo e análise fatorial).
Os resultados confirmaram que a versão brasileira do HSE-IT tem propriedades psicométricas satisfatórias e que a estrutura fatorial do instrumento original britânico se mantém na população de trabalhadores brasileiros. Isso significa que o instrumento mede no Brasil o mesmo que mede no Reino Unido, com a mesma precisão, o que é o requisito fundamental para uso científico e técnico-legal.
Na prática, isso importa por dois motivos: primeiro, porque o uso de um instrumento sem validação adequada em idioma e cultura enfraquece a sustentação técnica da avaliação em caso de questionamento jurídico ou fiscal. Segundo, porque os resultados de um instrumento sem validação podem refletir ruído de medição em vez de riscos reais, levando a planos de ação equivocados.
O método das Management Standards: além do questionário
O HSE-IT não é um fim em si mesmo, é o instrumento de medição quantitativa de uma abordagem mais ampla chamada Management Standards. O processo completo envolve cinco etapas:
Etapa 1 – Identificar os fatores de risco: usar o Indicator Tool para obter dados quantitativos sobre as seis áreas de gestão. Esse é o papel central do questionário.
Etapa 2 – Avaliar o risco: analisar os dados por grupo, setor, cargo ou equipe, identificar quais dimensões estão em zona de risco e com quais grupos de trabalhadores. A granularidade da análise determina a precisão do diagnóstico.
Etapa 3 – Explorar problemas e desenvolver soluções: usar grupos focais para aprofundar qualitativamente o que os dados quantitativos identificaram. O grupo focal serve para entender o contexto por trás do número, por que a dimensão de Controle está baixa em um setor específico, o que exatamente os trabalhadores percebem como ausência de apoio gerencial. Sem essa etapa, o plano de ação tende a ser genérico.
Etapa 4 – Implementar soluções: transformar o diagnóstico em plano de ação com medidas específicas, responsáveis, prazos e indicadores de eficácia. É aqui que os dados do HSE-IT se tornam obrigações de prevenção no PGR.
Etapa 5 – Monitorar e revisar: reaplicar o questionário após as intervenções para avaliar se as médias das dimensões melhoraram. A comparação longitudinal é o que fecha o ciclo de gestão e demonstra a eficácia das medidas, requisito explícito da NR-1.
HSE-IT e NR-1: como integrar ao GRO e ao PGR
A NR-1, em sua redação vigente desde 26 de maio de 2026, não define qual instrumento usar para avaliar os fatores de risco psicossociais, define que eles devem ser identificados, avaliados e gerenciados no âmbito do GRO, com os resultados integrados ao inventário de riscos do PGR. O HSE-IT atende a esse requisito quando aplicado e integrado corretamente.
A integração acontece em três pontos do PGR:
No inventário de riscos: cada dimensão avaliada pelo HSE-IT que resulta em classificação amarela ou vermelha representa um perigo psicossocial identificado, com descrição das fontes e circunstâncias que o geram (item 1.5.7.3.2.c da NR-1), indicação das possíveis lesões ou agravos à saúde (item 1.5.7.3.2.d) e avaliação do risco com nível de severidade e probabilidade (item 1.5.7.3.2.i). A classificação semáforo do HSE-IT se alinha diretamente a esse requisito de avaliação de nível de risco.
No plano de ação: cada dimensão em zona de risco gera uma ou mais medidas de prevenção no plano de ação, com responsável, prazo, forma de acompanhamento e aferição de resultados (itens 1.5.5.2.2 da NR-1). As medidas para riscos psicossociais são predominantemente de natureza administrativa e organizacional: revisão de processos de trabalho, treinamento de líderes, adequação de cargas e prazos, criação de canais de comunicação sobre mudanças.
No ciclo de monitoramento: a reaplicação periódica do HSE-IT fornece os dados que alimentam o acompanhamento da eficácia das medidas implementadas, conforme exigido pelo item 1.5.5.5.2.c da NR-1, que requer que a análise forneça evidências para revisar e aprimorar as medidas de prevenção existentes.
Quando escolher o HSE-IT e quando considerar o COPSOQ
Ambos os instrumentos são validados no Brasil, tecnicamente adequados para uso na NR-1 e implementados no SGG. A escolha depende do contexto de aplicação.
O HSE-IT tende a ser mais adequado quando: a organização está fazendo sua primeira avaliação psicossocial e a prioridade é vencer a resistência dos trabalhadores com um questionário curto; quando há necessidade de comparação com benchmarks externos (percentis populacionais); quando o foco da avaliação é o estresse organizacional e suas causas mais diretas; quando a empresa tem trabalhadores com menor nível de instrução formal ou menos familiaridade com questionários longos; quando o prazo para aplicação é curto; e quando há restrição de recursos para análise e interpretação de dados mais complexos.
O COPSOQ tende a ser mais adequado quando: a organização já tem maturidade em gestão de SST e quer um diagnóstico mais abrangente; quando há interesse em avaliar dimensões que o HSE-IT não cobre, como sentido do trabalho, previsibilidade, confiança na gestão e saúde e bem-estar; quando a análise por setor e função precisa ser muito granular; e quando a equipe de SST tem capacidade técnica para interpretar um instrumento com mais dimensões.
Importante: a NR-1 não determina a periodicidade de reaplicação dos questionários. A avaliação de riscos deve ser revisada a cada dois anos (item 1.5.4.4.6 da NR-1) e sempre que houver mudanças significativas nas condições de trabalho. A reaplicação do HSE-IT para monitoramento pode seguir esse ciclo bienal ou ser mais frequente conforme o plano de ação da organização.
Boas práticas de aplicação: o que faz a diferença no resultado
Garantia de anonimato real: o questionário deve ser aplicado de forma que o trabalhador não possa ser identificado a partir das suas respostas. Isso inclui não solicitar matrícula ou dados que permitam reidentificação, e só apresentar resultados agregados por grupos com no mínimo 5 respondentes (para grupos muito pequenos, o risco de identificação indireta é alto). O anonimato percebido é tão importante quanto o anonimato técnico, trabalhadores que não confiam na confidencialidade do processo tendem a responder de forma mais positiva do que sua percepção real, enviesando os resultados.
Comunicação prévia à aplicação: informar os trabalhadores sobre o objetivo do questionário, quem vai ter acesso aos resultados, como os dados serão usados e o que acontecerá depois da coleta. A comunicação prévia aumenta a taxa de resposta e a qualidade das respostas, trabalhadores que entendem para que serve tendem a responder com mais atenção.
Participação mínima recomendada: para que os resultados sejam estatisticamente representativos, recomenda-se uma taxa de resposta de pelo menos 60% do grupo avaliado. Abaixo disso, os dados podem não refletir a percepção da maioria e comprometer a validade do diagnóstico.
Análise por grupos homogêneos de exposição: não analisar o HSE-IT apenas no agregado da organização. Dimensionar a análise por setor, cargo ou equipe, porque médias gerais podem mascarar situações de risco em grupos específicos. Uma organização pode ter média verde em Demandas no geral, mas média vermelha no setor de atendimento ao cliente ou na equipe de produção.
Aprofundamento qualitativo: os dados do HSE-IT indicam onde há problemas, mas não explicam por quê. Grupos focais ou entrevistas com lideranças e trabalhadores devem complementar os dados quantitativos antes da definição do plano de ação. Uma intervenção baseada apenas nos números do questionário tende a ser genérica e pouco eficaz.
Retorno dos resultados aos trabalhadores: compartilhar os resultados com os trabalhadores, pelo menos as conclusões principais e as ações planejadas, é um requisito da NR-1 (item 1.5.3.3.c) e também um fator de credibilidade para futuras aplicações. Trabalhadores que participaram de uma avaliação e nunca souberam o que aconteceu com os dados tendem a não responder nas próximas rodadas.
Como o SGG implementa o HSE-IT
O SGG disponibiliza o HSE-IT como modelo pronto no submódulo CheckList do módulo Segurança, junto com os modelos do COPSOQ II Versão Curta e do COPSOQ II Versão Média. O questionário está configurado com as 35 questões validadas, a escala Likert de 5 pontos e o tratamento de pontuação invertida para as questões negativas.
A aplicação no SGG é totalmente digital e anônima. Os trabalhadores recebem o link de acesso pelo Portal do Funcionário, podendo responder pelo celular ou computador. O sistema controla a participação por empresa, permitindo ao profissional de SST acompanhar em tempo real quantos trabalhadores já responderam, quantos receberam o convite e quantos ainda não o fizeram, sem identificar quem respondeu o quê.
O SGG calcula automaticamente as médias por dimensão e classifica os resultados pelo sistema de semáforo (verde, amarelo, vermelho), gerando tabelas e gráficos prontos para análise. Os resultados podem ser filtrados por empresa, setor ou cargo, permitindo análises por grupos de exposição.
Acesse Segurança >> Arquivo
O novo Painel de Acompanhamento do Psicossocial (Segurança → Arquivo → CheckList → Painel de Acompanhamento) consolida os resultados de múltiplas empresas ou filiais em uma única tela, com badges de participação, semáforo consolidado por dimensão e exportação em XLS. Para consultorias e clínicas que gerenciam múltiplos clientes, isso elimina a necessidade de acessar cada empresa individualmente para ter uma visão geral da aplicação.
Os dados do HSE-IT gerados no SGG alimentam diretamente o inventário de riscos do PGR, com as dimensões em zona de risco identificadas como perigos psicossociais no inventário e as medidas de intervenção registradas no plano de ação em formato 5W2H, com responsável, prazo e forma de acompanhamento.
Aplique o HSE-IT com análise automática, semáforo e integração direta ao PGR
O SGG disponibiliza o HSE-IT validado, com controle de participação por empresa, semáforo por dimensão, Painel de Acompanhamento para múltiplas empresas e exportação para o inventário de riscos. Fale com nossa equipe.
Entre em contato →Perguntas frequentes sobre o HSE-IT
O HSE-IT é obrigatório pela NR-1?
Não. A NR-1 não determina qual instrumento usar para avaliar os fatores de risco psicossociais, determina que eles sejam identificados, avaliados e gerenciados no âmbito do GRO. O HSE-IT é uma das opções validadas cientificamente que atendem a esse requisito. A escolha do instrumento é do empregador, orientada pelo profissional de SST responsável pela avaliação, conforme o item 1.5.4.4.2.1 da NR-1.
Por que algumas fontes dizem que o HSE-IT tem 6 dimensões e outras dizem que tem 7?
As duas versões estão corretas, dependem de como o suporte é categorizado. O modelo original das Management Standards do HSE apresenta seis áreas de gestão: Demandas, Controle, Suporte, Relacionamentos, Cargo e Mudanças. O Suporte, nesse modelo, engloba tanto o apoio gerencial quanto o apoio dos colegas em uma única categoria. A versão de 7 dimensões separa os dois tipos de suporte em dimensões independentes, o que é o modelo adotado na validação brasileira e na análise psicométrica mais detalhada. Para fins práticos de aplicação no Brasil, usar as 7 dimensões separadas dá mais precisão diagnóstica.
O HSE-IT pode ser usado em qualquer tipo de empresa ou setor?
Sim. Uma das vantagens do instrumento é justamente sua aplicabilidade em diferentes contextos organizacionais, manufatura, serviços, saúde, educação, setor público, pequenas e grandes empresas. A validação brasileira incluiu trabalhadores de diferentes setores. Para empresas com perfis muito específicos de trabalho (como trabalhadores rurais, trabalhadores de plataformas ou profissões com características muito distintas das questões do instrumento), pode ser necessária uma avaliação do profissional de SST sobre a adequação do instrumento ou adaptações nos complementos qualitativos.
Como lidar com trabalhadores que têm baixa escolaridade ou dificuldade com leitura?
O HSE-IT foi desenvolvido com linguagem simples e direta, o que o torna mais acessível do que instrumentos com terminologia mais técnica. Para trabalhadores com baixa escolaridade ou dificuldades de leitura, algumas estratégias complementares podem ser adotadas: aplicação assistida por um facilitador que lê as questões em voz alta de forma individual ou em grupo pequeno; realização de reunião de sensibilização prévia com explicação do objetivo e da forma de responder; uso de versão impressa com espaço para resposta, em vez de link digital.
O resultado do HSE-IT substitui a análise de outros indicadores organizacionais?
Não. A NR-1 indica que a análise de riscos psicossociais deve considerar dados da organização e dados epidemiológicos (item 1.5.5.5.2.b). O HSE-IT é um instrumento de autorrelato, mede a percepção dos trabalhadores. Deve ser complementado com dados objetivos: absenteísmo, rotatividade, afastamentos por transtornos mentais, reclamações e conflitos registrados, resultados de exames do PCMSO. A combinação de dados percebidos (questionário) com dados objetivos (indicadores organizacionais) e qualitativos (grupos focais) é o que dá consistência ao diagnóstico psicossocial.
Qual a diferença entre o Indicator Tool e a Management Standards Analysis Tool?
São duas ferramentas complementares desenvolvidas pelo HSE. O Indicator Tool é o questionário, o instrumento de coleta de dados. A Analysis Tool é uma planilha eletrônica disponibilizada gratuitamente no site do HSE para processar as respostas coletadas, calcular as médias por dimensão e comparar com os benchmarks populacionais britânicos. Para quem usa o SGG, essas duas funções estão integradas na plataforma: o SGG coleta as respostas e calcula os resultados automaticamente, sem necessidade da planilha externa do HSE.
