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O papel do RH na gestão de fatores de risco psicossociais no trabalho

RH e SST precisam atuar juntos para cumprir a NR-1. Entenda o que a norma exige e como o RH contribui na gestão dos fatores de risco psicossociais.

  • Marina KipperMarina Kipper
  • 16 de junho de 2026
  • Medicina do Trabalho, Riscos Psicossociais, Segurança do Trabalho

A gestão de fatores de risco psicossociais no trabalho ganhou força de lei com a atualização da NR-1. E, na prática, uma dúvida parou muitas empresas: isso é responsabilidade do SESMT ou do RH?

A resposta correta quebra a lógica do “ou”. É dos dois. Mas de formas muito diferentes.

O SESMT conhece a metodologia, conduz a avaliação técnica e integra os riscos ao PGR. O RH, por sua vez, guarda algo que o SESMT raramente tem acesso direto: os dados organizacionais que revelam onde o risco psicossocial já está acontecendo.

Absenteísmo, rotatividade, afastamentos por transtornos mentais, clima organizacional. Tudo isso é matéria-prima para uma gestão eficaz. Sem essa parceria, a gestão fica incompleta. E o PGR, desatualizado.

O que a NR-1 exige sobre riscos psicossociais

A nova NR-1 incluiu os fatores de risco psicossociais no escopo do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Não como recomendação, mas sim como obrigação.

Dois trechos deixam isso claro:

Item 1.5.3.1.4: o gerenciamento de riscos ocupacionais deve abranger os riscos que decorrem dos agentes físicos, químicos, biológicos, riscos de acidentes e riscos relacionados aos fatores ergonômicos, incluindo os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho.

Item 1.5.3.2.1: a organização deve considerar as condições de trabalho, nos termos da NR-17, incluindo os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho.

Na prática, isso significa que toda empresa precisa identificar, avaliar, documentar e monitorar esses riscos, com plano de ação, responsáveis e prazos. O que a norma não diz, mas o dia a dia revela, é que cumprir esse ciclo sem o RH é muito mais difícil do que parece.

Por que o RH está no centro dessa gestão

O RH já produz sinais de risco psicossocial todos os dias. Só não nomeia assim.

Pense nos dados que o setor acumula rotineiramente: índice de absenteísmo, taxa de rotatividade, afastamentos classificados com CID F (transtornos mentais e comportamentais), resultados de pesquisa de clima, feedbacks de entrevistas de desligamento, registros de conflitos em avaliações de desempenho.

Cada um desses indicadores é uma janela para o que está acontecendo com a saúde mental na organização. E todos eles podem, e devem, alimentar o diagnóstico psicossocial exigido pela NR-1.

O problema é que esses dados costumam ficar dentro do RH, em planilhas ou sistemas próprios, sem jamais chegar ao SESMT. O resultado é um inventário de riscos que não reflete a realidade da empresa.

Dados que o RH já tem e que revelam risco psicossocial

  • 📊 Absenteísmo e rotatividade por setor ou função
  • 🏥 Afastamentos com CID F (transtornos mentais e comportamentais)
  • 🗣️ Resultados de pesquisa de clima organizacional
  • 🚪 Entrevistas de desligamento com relatos de sobrecarga, conflitos ou liderança tóxica
  • 📋 Avaliações de desempenho com registros de conflitos interpessoais ou baixa autonomia

O que é de responsabilidade do RH, do SESMT e o que é compartilhado

Colocar tudo no SESMT é o erro mais comum. Colocar tudo no RH, o segundo.

A gestão de riscos psicossociais funciona quando há clareza sobre quem faz o quê. E, principalmente, quando os dois lados conversam.

Atribuição RH SESMT Compartilhado
Levantar dados organizacionais (clima, turnover, CID F) ✓ — —
Definir metodologia de avaliação dos riscos — ✓ —
Apoiar a aplicação dos questionários psicossociais — — ✓
Incluir riscos no inventário do PGR — ✓ —
Elaborar plano de ação com medidas organizacionais — — ✓
Capacitar lideranças em saúde mental e gestão de pessoas ✓ — —
Monitorar indicadores e reavaliar periodicamente — — ✓

Os instrumentos de avaliação: o que são e como escolher

A NR-1 não determina qual instrumento usar para avaliar os fatores de risco psicossociais. Essa escolha fica a cargo da empresa, e é uma decisão técnica que impacta diretamente a qualidade do diagnóstico.

Existem diferentes ferramentas validadas disponíveis, cada uma com um foco e uma profundidade distintos. As duas mais utilizadas no Brasil são o COPSOQ-II e o HSE-IT, ambas disponíveis no SGG.

COPSOQ-II (Copenhagen Psychosocial Questionnaire)

Desenvolvido na Dinamarca e validado cientificamente no Brasil, o COPSOQ-II é o instrumento de maior robustez científica disponível para uso no contexto nacional. Ele avalia múltiplos domínios do trabalho: exigências laborais, organização e conteúdo do trabalho, relações sociais e liderança, interface trabalho-indivíduo, saúde e bem-estar, e comportamentos ofensivos como assédio e violência.

Os resultados são analisados por dimensão, com base em uma escala do tipo Likert de cinco pontos. A classificação final segue o modelo semáforo: verde para situações favoráveis à saúde, amarelo para risco intermediário e vermelho para risco elevado com necessidade de ação imediata.

O COPSOQ-II existe em versão curta e versão média. A versão curta é indicada para empresas que estão iniciando a gestão psicossocial e precisam de um diagnóstico ágil. A versão média oferece maior profundidade e é recomendada para diagnósticos mais detalhados ou para empresas com histórico de afastamentos por transtornos mentais.

HSE-IT (Health and Safety Executive Indicator Tool)

Desenvolvido pelo Health and Safety Executive do Reino Unido, o HSE-IT tem foco específico na avaliação do estresse relacionado ao trabalho. Ele avalia seis áreas de risco: demandas, controle, apoio da gestão, relacionamentos, clareza de papel e gestão de mudança.

É um instrumento mais direto e de fácil aplicação, indicado para organizações de todos os portes que querem identificar as fontes específicas de estresse dentro da equipe e desenvolver planos de ação concretos a partir dos resultados.

Como escolher

A escolha do instrumento deve considerar o porte da empresa, o perfil da força de trabalho, o histórico de saúde ocupacional disponível e o objetivo do diagnóstico. Em muitos casos, a combinação dos dados quantitativos do questionário com dados qualitativos do RH, como entrevistas de desligamento e grupos focais, gera um diagnóstico significativamente mais preciso do que qualquer instrumento isolado.

Instrumento O que avalia Ideal para Ponto de atenção
COPSOQ-II
Versão curta ou média
Múltiplos domínios: demandas, liderança, relações sociais, saúde e bem-estar, comportamentos ofensivos Diagnósticos amplos em empresas médias e grandes; alta robustez científica Questionário mais extenso; requer interpretação técnica dos resultados
HSE-IT Seis áreas de estresse: demandas, controle, apoio, relacionamentos, papel e gestão de mudança Empresas de qualquer porte; foco em fontes específicas de estresse e ações concretas Cobertura mais restrita; respostas baseadas em percepção individual

Da coleta ao plano de ação: como essa parceria funciona na prática

Entender os papéis é o primeiro passo. O segundo é fazer o fluxo funcionar. Na prática, a gestão integrada entre RH e SESMT segue quatro momentos principais:

1. Diagnóstico conjunto
RH compartilha os indicadores organizacionais disponíveis. SESMT define a metodologia de avaliação, escolhe o instrumento validado (COPSOQ-II, HSE-IT ou outro) e delimita os grupos a serem avaliados. A combinação dos dois olhares já orienta onde o risco pode ser mais crítico.

2. Aplicação dos questionários
O SESMT conduz tecnicamente. O RH viabiliza operacionalmente: comunica a importância da participação, garante o acesso dos colaboradores e acompanha a taxa de respostas. Sem engajamento, a coleta perde validade estatística.

3. Análise e diagnóstico
Com os dados dos questionários e os indicadores organizacionais do RH, é possível cruzar informações por setor, função ou liderança. O diagnóstico fica muito mais preciso. E as evidências, mais sólidas para apresentar à alta direção.

4. Plano de ação com responsáveis reais
As ações de natureza técnica ficam com o SESMT. As de natureza organizacional, com o RH. Reestruturação de jornadas, revisão de metas, capacitação de líderes, ajustes nos processos de gestão de pessoas. Tudo documentado, com prazo e responsável. Exatamente como a NR-1 exige.

Como o SGG apoia essa integração

Quando RH e SESMT precisam trabalhar juntos, o principal obstáculo costuma ser prático: sistemas diferentes, dados em planilhas separadas, comunicação por e-mail e rastreabilidade zero.

O SGG foi desenvolvido para resolver exatamente isso.

Com o sistema, é possível aplicar digitalmente questionários psicossociais validados como COPSOQ-II e HSE-IT, com envio por link, garantia de anonimato e total conformidade com a LGPD. Os resultados geram automaticamente gráficos, tabelas e classificações de risco por setor, que alimentam o inventário do PGR e disparam sugestões de plano de ação.

A integração via API com sistemas de RH e DP garante que os dados organizacionais já existentes na empresa cheguem ao SGG sem retrabalho manual. E o acesso segmentado por perfil permite que cada setor, RH, SESMT, lideranças, veja exatamente o que precisa ver, sem expor dados sensíveis de forma inadequada.

O monitoramento é contínuo. Notificações por e-mail e WhatsApp avisam quando indicadores mudam ou quando é hora de reavaliar. E tudo fica documentado, com rastreabilidade completa para auditorias e fiscalizações.

Para saber mais sobre como o SGG elimina os gargalos entre SST e RH, leia também: Integração entre SST e RH/DP: como evitar retrabalho e desencontro de informações | Blog SGG – SST

O que o SGG oferece para a gestão integrada RH + SESMT

Questionários validados

COPSOQ-II e HSE-IT aplicados digitalmente, com anonimato e conformidade LGPD

Integração com RH/DP

API gratuita para cruzamento de dados organizacionais sem retrabalho manual

Plano de ação automático

Resultados alimentam o PGR e geram sugestões de plano de ação integrado

Monitoramento contínuo

Dashboards, notificações e rastreabilidade completa para auditorias e fiscalizações

Conclusão

A gestão de fatores de risco psicossociais não é um projeto de SST com apoio eventual do RH. Também não é um projeto de RH com orientação técnica do SESMT. É uma responsabilidade compartilhada, com papéis distintos e complementares.

Quando os dois setores atuam de forma integrada, com dados organizacionais alimentando o diagnóstico técnico e ações organizacionais sustentando o plano de SST, a empresa cumpre a NR-1 de verdade. Não no papel. Na prática.

E quando um sistema conecta tudo isso, o que antes era burocracia vira processo. O que era retrabalho vira rastreabilidade. O que era obrigação legal vira gestão de pessoas de verdade.

Quer entender como o SGG pode transformar essa parceria na sua empresa?

Entre em contato conosco!
Tags
# medicinadotrabalho# NR-1# RH# riscospsicossociais# saúdeesegurancadotrabalho# segurançadotrabalho# sesmt# softwaresst# SST

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